quinta-feira, 6 de setembro de 2012


Moralismo não é o Evangelho

Fonte:http://iprodigo.com/traducoes/moralismo-nao-e-o-evangelho.html Por Albert Mohler Jr.

 Um dos mais impressionantes enunciados feitos pelo apóstolo Paulo é a sua acusação de que os crentes da Galácia teriam abandonado o evangelho. “Estou admirado de que tão depressa estejais desertando daquele que vos chamou na graça de Cristo, para outro evangelho” [Gálatas 1.6]. Com essa declaração tão enfática, percebemos que os gálatas tinham falhado no teste crucial de discernir o verdadeiro evangelho de suas falsificações.

Suas palavras não poderiam ser mais claras “ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja maldito. Como antes temos dito, assim agora novamente o digo: Se alguém vos pregar outro evangelho além do que já recebestes, seja maldito!” [Gálatas 1.8-9].

Essa advertência do apóstolo Paulo, expressada pelas suas palavras de espanto e tristeza, não é direcionada apenas para aquela igreja na Galácia, mas para toda congregação em todas as eras. Nos nossos próprios dias – e em nossas próprias igrejas – necessitamos desesperadamente dar ouvidos a essa advertência. Atualmente temos encontrado falsos evangelhos não menos subversivos e sedutores do que aqueles encontrados e abraçados pelos gálatas.

No nosso contexto, um dos falsos evangelhos mais sedutores é o moralismo. Esse falso evangelho pode tomar diversas formas e pode surgir no meio de qualquer intenção política e cultural. Todavia, a estrutura básica do moralismo é essa: a crença de que o Evangelho pode ser reduzido a uma boa melhora no comportamento.

Infelizmente, esse falso evangelho é particularmente atrativo àqueles que acreditam ser evangélicos motivados por um impulso bíblico. Muitos crentes e suas igrejas sucumbem à lógica do moralismo e reduzem o seu entendimento do evangelho a um melhoramento moral. Em outras palavras, nós comunicamos aos perdidos a mensagem de que Deus deseja e demanda deles que eles vivam uma vida correta.

Em certo sentido, nós nascemos para sermos moralistas. Criados à imagem de Deus, recebemos a capacidade de consciência moral. Desde os primeiros anos, nossa consciência grita revelando o conhecimento de nossa culpa, defeitos e mau comportamento. Em outras palavras, nossa consciência revela nossa iniquidade.

Acrescente a isso o fato de que o processo de educação de filhos tende a inculcar-nos moralismo desde os primeiros anos de nossas vidas. Desde cedo aprendemos que nossos pais estão preocupados com nosso comportamento. Crianças bem comportadas são recompensadas com a aprovação dos pais, enquanto mal o comportamento atrai a punição. Essa mensagem é reforçada por outras autoridades na vida dos jovens e está impregnada na sociedade.

Escrevendo sobre sua infância na área rural da Georgia, o romancista Ferrol Sams descreveu a impregnada tradição de ser “bem criado”. Como ele explica, a criança que é “bem criada” alegra seus pais e outros adultos ao aderir às convenções morais e de etiqueta. Um jovem “bem criado” se torna um adulto que obedece as leis, respeita os vizinhos, concorda, mesmo que falsamente, com os padrões religiosos e fica longe de escândalos. O ponto aqui está claro – isso é o que os pais ensinam, o que a sociedade espera e o que a igreja celebra. Mas nossa sociedade está cheia de pessoas que foram “bem criadas”, mas estão indo direto para o inferno.

A sedução do moralismo é a essência do seu poder. Nós somos facilmente seduzidos a acreditar que somos capazes de receber a aprovação de que precisamos baseado no nosso comportamento. É claro que, para conseguirmos participar desse jogo de sedução, precisamos negociar o código moral que define o comportamento aceitável criando inúmeros furos. Muitos moralistas não vão dizer que não têm pecado, mas não estão em escândalo. E isso é considerado suficiente.

Moralistas podem ser classificados como liberais ou conservadores. Em cada caso, um número específico de preocupações morais determina a expectativa moral. Generalizando, é certo que liberais focam no conjunto de expectativas morais relacionadas com a ética social, enquanto conservadores tendem a focar na ética pessoal. Em ambos a essência do moralismo está patente- a crença de que conseguimos alcançar o padrão da justiça por meios do nosso próprio comportamento.

A tentação teológica do moralismo é tal que muitos cristãos e igrejas acham difícil resistir. O perigo é a igreja comunicar direta ou indiretamente que o que Deus espera da humanidade caída é um aperfeiçoamento moral. Fazendo assim, a igreja subverte o evangelho de Deus e passa a anunciar o falso evangelho ao mundo caído.

A Igreja de Cristo não tem outra opção, apenas pregar a Palavra de Deus e a Bíblia ensina fielmente a lei de Deus e um extenso código moral. Os cristãos entendem que Deus se revela por meio da criação de tal forma que Ele presenteou a humanidade com o poder refreador da lei. Além do mais, Ele nos presenteou com mandamentos específicos e com uma abrangente instrução moral. A fiel Igreja de Jesus Cristo deve afirmar a retidão de tais mandamentos e a graça dada a nós no conhecimento do que é bom e do que é mau. Devemos, inclusive, dar testemunho desse conhecimento do bem e do mal a nosso próximo. O poder refreador da lei é importantíssimo para a comunidade humana e para a civilização.

Assim como os pais ensinam corretamente seus filhos a obedecerem a instrução moral, a igreja também tem a responsabilidade de ensinar os seus os mandamentos morais de Deus e ser testemunha para toda a sociedade de o que Deus declarou bom e reto para suas criaturas humanas.

Esse impulso – correto e necessário – não é , todavia, o evangelho de Deus. Na verdade, um dos mais traiçoeiros falsos evangelhos é o moralismo que promete o favor de Deus e a satisfação da justiça de Deus aos pecadores se eles somente se comportarem e se comprometerem ao aperfeiçoamento moral.

O instinto moralista na igreja reduz a Bíblia a um manual para o comportamento e substitui a instrução moral pelo evangelho de Jesus Cristo. Muitos púlpitos evangélicos estão dados a mensagens moralistas e não à pregação do Evangelho.

O corretivo para o moralismo vem direto do apóstolo Paulo quando ele insiste que “o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Cristo Jesus”. Salvação vem àqueles que são “justificados pela fé em Cristo e não pelas obras da lei; visto que pelas obras da lei ninguém será justificado.” [Gálatas 2.16]

Nós pecamos contra Cristo e adulteramos o evangelho quando sugerimos a pecadores que o que Deus requer deles é aperfeiçoamento moral de acordo com a Lei. Moralismo faz muito sentido aos pecadores pois não passa de uma explicação do que eles já vêm aprendendo desde os primeiros dias. Mas o moralismo não é o evangelho e ele não pode salvar. O único evangelho que salva é o Evangelho de Cristo. Como Paulo lembrou aos gálatas, “mas quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo da Lei, para regatar os que estavam debaixo da Lei, a fim de recebermos a adoção de filhos.” [Gálatas 4.4-5]

Nós somos justificados pela fé somente, salvos pela graça somente e redimidos dos pecados por Cristo somente. Moralismo produz pecadores (potencialmente) melhor comportados. O Evangelho transforma pecadores em filhos e filhas adotados por Deus.

A Igreja deve nunca se esquivar, acomodar, revisar ou esconder a Lei de Deus. Na verdade, é a Lei que mostra nosso pecado e deixa clara nossa total inadequação e falta de retidão. A Lei não pode transmitir vida, mas como Paulo insiste, ela “se tornou nosso tutor para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados pela fé.” [Gálatas 3.24]

O perigo mortal do moralismo tem se tornado uma constante tentação para a igreja e um sempre-conveniente substituto do Evangelho. Claramente percebemos que milhares dos nossos vizinhos pensam que o moralismo é a nossa mensagem e somente a mais ousada pregação do verdadeiro Evangelho será suficiente para corrigir essa impressão e levar pecadores à salvação em Jesus.

O inferno estará cheio de pessoas “bem criadas”. Os cidadãos do Céu serão aqueles que, pela completa graça e misericórdia de Deus, estarão lá pela justiça de Jesus Cristo creditada a eles.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Narcisismo Cultural e Uma Lição do Titanic


Por Dr. Harry L. Reeder

"Para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro." - Filipenses 1.21


Na escuridão de 15 de abril de 1912, o Titanic, anunciado como "o navio que nem Deus poderia afundar", submergiu nas águas geladas do Atlântico Norte, seu casco dividiu-se em dois. Admiravelmente, a perda consistiu de homens de toda posição e época de vida possível, incluindo alguns que eram multibilionários. Os botes salva-vidas foram ocupados predominantemente por mulheres e crianças de toda esfera da sociedade. Estes fenômenos se tornaram irresistíveis matérias de análise nos meios de comunicação e até nos meios acadêmicos durante os dias subsequentes.

O filme Titanic (1997), aclamado pela crítica e com grande divulgação publicitária, tentou recriar este acontecimento histórico. O filme, anunciado como um sucesso tecnológico e cinematográfico, foi um fracasso em termos de realidade, retratando com inexatidão a narrativa daquela noite fatal. O script revisionista tentou apresentar o desastre como um exemplo de "conflito de classes". Uma história de amor espalhafatosa e adúltera entre uma mulher da sociedade e um imigrante de classe inferior foi inventada para o filme. Houve também uma apresentação fictícia da elite cultural oprimindo as classes inferiores no interior do navio, capacitando-os (como privilegiados) a escapar nos preciosos botes salva-vidas, que eram poucos.

Na verdade, os produtores do filme perderam uma grande oportunidade. Naquele flutuante microcosmo de opulência, consumismo e elitismo, um acontecimento admirável transpirou. Homens de poder e prestígio sacrificaram sua vida em favor de mulheres e crianças de classe inferior, muitos dos quais eram servos contratados, diaristas e empregados domésticos. Nesta flotilha de autoabsorção, o autossacrifício se tornou uma virtude prevalecente durante um momento de crise. E os poderosos escolheram a morte, para que os fracos recebessem vida.

A análise nos dias seguintes fazia persistentemente a pergunta óbvia: "Por quê?" A resposta, quase universalmente reconhecida – até por agnósticos e secularistas – foi a influência inegável do cristianismo. A virtude cristã de autossacrifício em favor do bem-estar de outros e o imperativo bíblico de homens darem sua vida em favor de mulheres e crianças foram escolhidos em lugar da autopreservação. Estas virtudes triunfaram no contexto de escolhas reais de vida e morte, no Titanic.

Estas virtudes contagiantes poderiam ser propagadas na cultura de nossos dias, que é marcada por autoabsorção, autossatisfação e autoexaltação? A Escritura e a história dizem sim. Todavia, a Escritura e a história também dizem que essa transformação norteada pelo evangelho não acontecerá neste mundo se, primeiramente, ela não dominar a igreja de Cristo.

A cultura contemporânea se debate num mar de narcisismo, mas a igreja se debate na exaltação do ego e na supremacia da idolatria pessoal. Muitas igrejas (e, portanto, seus membros) abandonaram há muito tempo a chamada do evangelho para que "não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente" (Rm 12.2). A igreja não molda mais o mundo porque está sendo moldada pelo mundo. A igreja contemporânea não pode suprimir, e muito menos transformar, os efeitos desastrosos do narcisismo na cultura porque o narcisismo não é suprimido e floresce dentro do próprio ministério da igreja. As evidências de autoabsorção dentro da igreja são inegáveis e estão quase se tornando uma epidemia.

A igreja contemporânea, em seu esforço para ser relevante e conectada, se tornou, em muitos casos, irrelevante e desconectada, acomodando-se ao narcisismo da cultura. A igreja de hoje, em vez de pregar a mensagem do verdadeiro evangelho em temos que a cultura entende, foi seduzida e intimidada a modificar a mensagem do evangelho de acordo com o que a cultura aprova. Por isso, insistimos na supremacia das preferências pessoais quanto ao tipo de música no culto. Nossos filhos existem para obter honras acadêmicas e atléticas, a fim de promoverem nosso orgulho paternal. Os cônjuges, em vez de serem os objetos de nosso amor sacrificial, tornaram-se objetos a serem usados ou descartados. Nossas carreiras são instrumentos para consumismo evidente, e não oportunidades de gerar riqueza e ajuntar recursos para os necessitados. Nossas igrejas locais são vistas como "lojas religiosas de especialidades" para os desafios da vida. A pregação do evangelho tem sido pervertida em terapia de autoestima ou conversas estimulantes, preparando-nos para o sucesso mundano ou, o que é mais admirável, redefinindo o amor de Cristo em termos que obstam seu desprazer com o impenitente egocentrismo em nossa vida. Nossa busca por felicidade e satisfação pessoal tem ocupado o lugar da chamada de Deus para sermos santos e exaltarmos a sua glória. Agora, a primeira pergunta de nosso novo catecismo é: "Qual é o objetivo principal de Deus?" A resposta: "Amar-me e tornar-me feliz". Nossa conformação com o mundo e nossa perda da nítida chamada do evangelho para seguirmos a Cristo e morrermos para nós mesmos e nossos pecados têm transformado os crentes e a igreja em termômetros da cultura, em vez de termostatos dentro da cultura.

Há uma grandiosa lição a ser aprendida do Titanic. Durante um momento de crise, uma virtude que é alheia à humanidade caída permeou a cultura coletiva no Titanic. Sacrifício prevaleceu em lugar de narcisismo porque a chamada do evangelho à autorrenúncia havia anteriormente penetrado e transformado a vida de crentes em toda a sociedade. Um mundo espectador fora afetado quando observou os seguidores de Cristo, imperfeita mas intencionalmente, abraçarem a bênção do evangelho: "Para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro" (Fp 1.21).

A igreja de Cristo proclama uma mensagem do evangelho que é estimulantemente clara e inegociável: venha a Cristo, aquele que negou-se a si mesmo, deixou de lado as riquezas da glória e humilhou-se a si mesmo até à morte na cruz, para que fôssemos resgatados e recebêssemos a vida eterna. Este Cristo, que recebe você espontaneamente, pela fé e arrependimento, chama-o a segui-lo e a morrer para o ego a fim de que outros sejam resgatados por seu intermédio. Que ato extraordinário e maravilhoso do amor de Deus por nós! No entanto, ele não foi realizado primeiramente para exaltar-nos, e sim para humilhar-nos e matar-nos, para que exaltemos aquele que nos exaltará no devido tempo. "Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim" (Gl 2.20).

O narcisismo do mundo pode ser suprimido e até transformado, mas tem de ser primeiramente confrontado em nós, salvos pela graça, quando dizemos não à ilusória chamada de autoadoração da parte do mundo e dizemos sim para a libertadora chamada de autorrenúncia da parte de Cristo. Esta é a libertação que nos permitirá exaltar a Cristo, que fez tanto para nos salvar.
Fonte:

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Mais um blog

Como no título este é mais um blog no universo da internet, mas é para postagens que venham divulgar as boas notícias, ou seja, o evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Um espaço para que possa publicar minhas reflexões à luz da palavra de Deus e compartilha-las e também questionar outros materiais publicados na internet ou outros meios de comunicação buscando a defesa da sã doutrina.

Tudo para glória do soberano Deus !